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EDUCOMUNICANDO - 141
 
     
     
     
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Nossa Primeira Reflexão Sobre Educação Financeira

Rogério Thomé - Sócio Alta Vista Investimentos e Diretor de Operações XP Investimentos SP

 

Muitos ensinamentos que buscamos levam toda uma vida para serem absorvidos. Quantos de nós já não nos vimos às voltas com o pensamento: “Ah, se eu soubesse há alguns anos o que sei hoje...”

Quando o assunto é Finanças Pessoais esse desejo pode se tornar ainda mais agudo.  A cadeira Planejamento Financeiro Pessoal, infelizmente, não faz parte da grade curricular de nossas escolas, quer no ensino fundamental, quer na graduação superior. De novo, a vida nos ensina sobre este assunto, mas alguns levam a vida toda para aprender.  Vou tentar encurtar esse tempo explicando os três pilares, e a argamassa, que determinam o sucesso financeiro de um investidor, ilustrando com o cotidiano de um pai que busca fazer com que seu filho entenda essas lições.  Em seguida, vou elucidar como esses três pilares, e a argamassa, se compõem para montar a estrutura de um planejamento financeiro de sucesso.

1° Pilar: Valor investido

Alguns pensam que aplicações financeiras só valem à pena se o valor aplicado for elevado.  Esquecem-se de que o que para alguns pode significar muito dinheiro, para outros pode significar muito pouco, ou o que para alguns pode significar pouco, para outros pode ser “tudo”. 

O meu filho, tem um cofrinho como tantas crianças.  Ele ainda está sendo alfabetizado, está aprendendo a contar.  Adição é a única das quatro operações que ele consegue realizar se os valores forem unitários.  A melhor noção de valor investido que ele tem é o peso do cofrinho.  Cofrinho pesado = muito dinheiro.  Como uma moeda pesa pouco, ele sabe que precisa de muitas moedas para ter um cofrinho valioso.

Se quiser um novo brinquedo, ele sabe que tem duas opções: pedir aos pais ,e normalmente ouvir um educativo “não”, ou pegar moedas do cofrinho.  Sabe também que se usar as moedas, ficará com um cofrinho leve, ou vazio e vai demorar para que volte a ser pesado. Procuro, portanto, ensinar ao meu filho o mesmo que muitos pais: junte moedinhas para poder ter escolhas no futuro.  Juntar moedas não deve ser uma tarefa isenta de esforços para a criança (para um adulto certamente não é), tem que haver algum empenho. Em casa, por exemplo, um brinquedo doado vale uma moeda.

2° Pilar: Rentabilidade do Investimento

Dinheiro investido tem que dar retorno, senão o investimento não vale à pena.  Quanto maior o retorno que se pretende ter, maior o risco que o investidor terá que assumir.  Risco e retorno formam um par perfeito, andam sempre juntos, é impossível separá-los.
Combinei com o meu filho que cada real (moeda) que ele depositar em seu cofrinho fará jus a outro real (moeda) que será depositado por mim.  Dessa forma ele sabe que terá maior benefício (retorno) se, ao invés de usar as moedas, buscar colocar outras tantas no cofrinho (que ficará mais pesado).  Para ter esse retorno de 100% sobre o valor investido, ele faz algum sacrifício e assume o desconforto (risco) de não poder realizar suas vontades imediatas.

3° Pilar: Duração do investimento

Um cofrinho não se enche da noite para o dia da mesma forma que uma segurança financeira independente de salário não se conquista em pouco tempo.  Leva- se vários anos para descobrir isso.  Ele acha que o tempo não passa (assim são as crianças) e  às vezes diz que quer ser adulto logo (ah, se ele soubesse como é bom ser criança).  Nós, adultos, achamos que o tempo voa, e desta vez estamos certos.  As Copas do Mundo parecem cada vez menos espaçadas.  Será que quatro anos hoje passam mais rápido que quando éramos crianças?  Sim, nossa percepção é de que passa.

O tempo é um fator importante na vida de quem decide tornar-se um investidor consciente. É seu maior aliado: aquele que começa logo e não procrastina que é consistente em seus investimentos, que persegue um objetivo e não desiste até alcançá-lo.  Quanto maior a duração do investimento, maior a probabilidade dos retornos serem favoráveis.

Em qual dos 3 pilares você está tendo dificuldades?

1° Valor investido

Não está sobrando sequer R$ 100,00 para investir?  Analise suas finanças: Classifique e priorize seus gastos para poder gerenciá-los.  Incremente seu empenho para pagar suas dívidas.  E renegocie cuidadosamente a dívida que não puder pagar.  Estabeleça objetivos financeiros e prazos para alcançá-los (descreva-os em um plano de ação que se proporá a seguir).  Em outras palavras, entregue um brinquedo para ganhar uma moeda.

2° Rentabilidade do investimento

A rentabilidade do seu investimento está baixa? Será que você tem procurado Renda Fixa esperando retornos de Renda Variável?  Conheça e entenda quais as diferenças entre os diversos tipos de Renda Fixa (eles não são todos iguais) e saiba escolher entre eles.  Aprenda a investir na Bolsa de Valores e monte uma estratégia para atingir seus objetivos através de investimento em Renda Variável. Analise as diferenças entre os diversos Fundos de Investimentos em Ações e o investimento em carteira própria e escolha o que apresentar a melhor relação risco x retorno conforme seu perfil de investimento.  O mais importante: saiba o que tudo isso significa.  Investir “sem” conhecimento costuma resultar em prejuízos.  Educação Financeira é um excelente investimento.

3° Pilar: Duração do investimento

Comece já.  O capital acumulado por uma criança que começou a investir (através de seus pais) mensalmente desde seu nascimento, numa carteira que lhe deu o retorno de 15% ao ano, jamais será alcançado por outra criança que começou a investir cinco anos após a primeira, na mesma aplicação, ainda que o valor investido mensalmente pela 2ª criança seja o dobro do da 1ª criança. 

 Tempo é dinheiro.  Os anos vão passar quer você se prepare para eles ou não.  Resista à tentação de utilizar seus recursos para fins que não aqueles que você se dispôs a  alcançar.  Comece hoje... e não pare.

Parafraseando o Sr. Warren Buffet, o maior investidor da história: “Se alguém está sentado à sombra de uma árvore é porque um dia essa árvore foi plantada.  Plante a sua.”

Ah...faltou elucidar sobre a “argamassa” para montar a estrutura de um planejamento financeiro de sucesso:  dia 9 de junho a gente fala sobre ela.

 

 

 
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